Catarina Madeira Santos

"Escrever o poder".
Os autos de vassalagem e a vulgarização da escrita entre os africanos:
O caso dos Ndembu em Angola (séculos XVII-XX)

 

Em trabalhos recentes, foi posta em evidencia a importancia do uso da escrita para a construção da história de Angola, nomedamente através do exemplo, exuberante, dos Estados Ndembu. Nesta comunicação, sem abandonar os problemas associados à escrita, procuramos centrar-nos na segunda metade do século XVIII e duas primeiras décadas do XIX, para dar conta de uma articulação, que me parece pertinente sublinhar, entre o período da política colonial proposta pelo Iluminismo português e a sedimentação de uma linguagem burocrática, nas relações entre poderes constituidos e reconhecidos entre si. Burocracias coloniais e burocracias africanas, rotas burocráticas assentes numa retórica fina, dão-se a conhecer em documentação que cobre uma área geográfica vasta (governos de Angola e Benguela) e uma hierarquia instituicional ampla (desde o Conselho Ultramarino em Lisboa, aos documentos dos sobados, passando pelos capitaes-mores dos presídios).

 

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